segunda-feira, 13 de agosto de 2007

Começo/Fim/Começo


Nada mais me toca. Não há sensação. Por mais uma temporada foi-me tirado tudo. A ausência de luz tornou-se perene. E isso. Não mais me incomoda.
Não haverá mais lamúrias. Não se ouve mais gargalhadas insanas de alma louca. Sem som...
Haverá, então, algo que viria a me alcançar? Surgirá vida da carne podre? Não creio... O que havia lá apenas se esgotou, secou ou simplesmente virou pó. Tornou-se navalha sem corte, varinha sem condão. Tendo como um destroço de mão, o porta-voz de minh'alma poente.
Se algum dia vivi, não foi por mérito meu. Mas quando me for, creio que será. Não faço mais uso da lógica, pois nem ela mais me faz sentido. Não faço mais questão de distinguir o bem e o mal. Sabê-lo não me faz mais jus.
Se há pouco ainda houve algum Deus ou algum Demônio, hoje eles se dissipam. Agora, não faz mais diferença. Se forem o mesmo ser ou criaturas completamente antagônicas. Que seja. Isso não mais me convém.
Tudo é insípido, inodoro, incolor. A graça da vida se esvaiu. Creio que nem o coração mais bate. Essa carcaça moribunda, restos de mim. Não vive, sobrevive.



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Tragédia medíocre e melodramática.

quinta-feira, 2 de agosto de 2007

Imperativo


Não sejas tu!
Não sejá você!
Não sejamos nós!
Não sejais vós!
Não sejam vocês!

Sê tu!
Seja você!
Sejamos nós!
Sede vós!
Sejam vocês!

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(Clichê ou não, é o que é.)